Tenho notado nestes últimos dez anos como consultora pedagógica que professores de idiomas são realmente muito criativos. É interessante observar como ideias surgem em aulas ou após ministrá-las, tornando o arquivo do professor cheio de anotações. No entanto, vejo também que alguns profissionais sentem alguma dificuldade em organizar tais ideias, o que faz com que não deem muita importância a elas. Neste artigo farei você refletir sobre seu processo de criação a fim de organizar atividades e ideias para o ensino de idiomas. Geralmente gosto de começar meus textos e oficinas com uma atividade de aquecimento, ou seja, algo que seja capaz de envolver os participantes em pouco tempo, criando entrosamento. Desta forma, vamos começar o artigo com o seguinte aquecimento: Como você colocaria as seguintes palavras em ordem para formar um pensamento? SONHE TRABALHE PLANEJE SORRIA E BOAS COISAS BEM SEMPRE ACONTECERÃO GRANDE DURO Aqui está o pensamento de Sally Huss, que me inspirou a elaborar esta atividade: "SONHE GRANDE, PLANEJE BEM, TRABALHE DURO, SORRIA SEMPRE E BOAS COISAS ACONTECERÃO!" É interessante observar que participantes acabam ordenando as palavras de acordo com a importância que dão a elas. Portanto, quando estamos organizando atividades para nossos alunos podemos pensar no que estamos querendo atingir, quais seriam as prioridades que estamos dando naquele momento. Desta forma, posso lembrar-me de aulas que planejo baseando-me nas dificuldades e facilidades de meus alunos. Tive uma aluna particular, por exemplo, que tinha uma leve deficiência auditiva e por isso sentia-se estressada e ansiosa quando usava algum recurso com áudio. Devido a este detalhe, tinha percebido que atividades de leitura e escrita durante a aula a tranquilizavam, fazendo com que sentisse mais segurança. Então procurava dar uma ênfase maior através da leitura e escrita sem abandonar os recursos auditivos, o que gerou progresso e resultados. No entanto, a aula dela se diferenciava das demais pois geralmente uso a compreensão auditiva e produção oral com mais frequência. Pensando em estratégias para o ensino de idiomas, gostaria que você fizesse uma lista de palavras relacionadas às metodologias que experimentou (como aluno/a e como professor/a). A ideia desta atividade não é a de julgar o melhor método e sim a de conscientizar professores analisando quais estratégias estão sendo aplicadas. Por exemplo, de acordo com a minha experiência como aluna estudei inglês em escola regular com as aulas baseadas somente em gramática e textos com preparação para o vestibular. Realizei um curso de inglês completo, com método comunicativo e preparação para exames. Como professora, ministrei aulas particulares de reforço para colégio e vestibular, trabalhei em uma escola de idiomas com método estrutural, usando o português como referência e grande uso da compreensão auditiva e gramatical. Trabalhei também numa escola que usava o método funcional (comunicativo e criativo, porém sem muito apoio gramatical) e em outra que usava a abordagem comunicativa, trabalhando as quatro habilidades (compreensão escrita, oral e produção escrita e oral). As escolas foram referências que tive para adquirir uma base sólida no momento em que comecei a trabalhar como professora de inglês autônoma. Hoje ministro aulas particulares com o objetivo de fazer com que o aluno se expresse em inglês com desenvoltura e confiança através de situações ou histórias que o motivem a se comunicar, trabalhando as quatro habilidades com apoio gramatical. Preocupo-me bastante com a maneira que as atividades são conduzidas, utilizando vários recursos como livros, jogos, filmes, canções e internet. Costumo chamar esta abordagem de "criativa", pois uso várias ferramentas para envolver cada aluno, respeitando a individualidade e ritmo de cada um. Procuro tornar as aulas prazerosas para mim e para o aluno, pois acredito que desta maneira resultados melhores podem ser obtidos. Cada curso é então profundamente trabalhado para que o aprendiz seja motivado a produzir também fora da sala de aula, o que melhora a sua assimilação. Trabalhando geralmente com o público adulto, percebo que o maior desafio que enfrento é o de motivá-lo a fazer tarefas de casa: o famoso "homework". Acreditando que a aquisição do idioma se dá quando o aluno consegue produzir algo por conta própria, insisto em estratégias variadas que façam o aluno trabalhar. Uso e-mails com frequência elaborando ideias que motivem o estudante a estudar e escrever. Desta maneira vou organizando minhas aulas pouco a pouco, com o objetivo de fazer com que o aluno realmente aprenda: a) Proporcionando uma atmosfera descontraída b) Expondo os alunos ao máximo à conversação, à produção oral e escrita (através de e-mails, telefonemas, "happy hours") c) Lembrando-s constantemente do papel deles como estudantes e envolvendo-os (com determinação). d) Apoiando-os quando for preciso. e) Agindo como facilitador. Quando conseguimos organizar ideias no ensino de idiomas, geralmente criamos uma confiança maior ao planejar e ministrar aulas, obtendo consequentemente melhores resultados.
Um grande abraço, Maria de Fátima assistência pedagógica ao ensino de idiomas Contato : marifa2006@terra.com.br Interesse em lecionar inglês numa escola que se preocupa com a a qualidade de ensino de forma flexível e criativa beneficiando alunos e professores num ambiente muito agradável www.idees.com.br (Idées ensino de idiomas)no mercado desde 1997: Envie seu CV para idees@idees.com.br
Desenhar, interpretar, planejar aulas de idiomas... maneiras simples de observar alunos, aulas e escolas e que fazem uma grande diferença no dia-a-dia daquele que irá lecionar!.... Boa aula!! Um grande abraço, Maria de Fátima marifa2006@terra.com.br
Como é gostoso ouvir histórias!... Desde pequenos, quando nossos pais e irmãos mais velhos contavam histórias, era como se entrássemos num mundo mágico, onde a nossa imaginação era estimulada a ponto de visualizar as situações narradas ou descritas.
"Histórias nos ajudam a criar sentido de nossas experiências e entender as de outros e suas heranças culturais".. Cecília Almeida Prado, Renata Rocha e Sonia Prado. Neste artigo gostaria de compartilhar com vocês ideias que podem ser usadas como estímulos à conversação, dentro de um curso de idiomas. Certa vez tive a oportunidade de compartilhar com um aluno uma visita que fiz ao Museu do Café em Santos. Indo ao Museu, que fica no centro da cidade, pude conhecer a Sala do Pregão da Bolsa do Café, onde podem ser observados lindos painéis do pintor da baixada Benedicto Calixto, assim como saborear um delicioso café na cafeteria do próprio museu. O movimento de pessoas entrando e saindo do edifício era razoavelmente intenso, onde olhares curiosos de turistas procuravam nos objetos históricos e lembrancinhas, algum resquício que pudesse contar como as pessoas prosperaram no passado a partir de um produto que parecia tão simples de ser obtido: o café. É impressionante constatar como o café conseguiu movimentar a economia do país, fazendo com que fosse criada a ferrovia para agilizar o transporte do produto e atrair vários imigrantes que começaram a trabalhar nas plantações e construir suas vidas num país incrível como o Brasil! Observando as ferramentas que eram utilizadas na época para a colheita, preparo e empacotamento do produto final, podemos refletir como o cuidado com os detalhes e o trabalho praticamente manual de nossos ancestrais influenciavam o estilo e ritmo de vida. Vivenciando a era da alta tecnologia, fica difícil imaginar como as pessoas trabalhavam naquela época, com uma paciência "oriental", onde todas as etapas eram minuciosamente cuidadas, para que em equipe o trabalho fosse feito com muita dedicação e determinação. Após compartilhar minhas percepções com o meu aluno, ele ficou muito entusiasmado pela história e resolveu procurar mais informações no site do Museu do Café. Usando a internet em aula, pudemos juntos obter mais dados sobre o local, e apesar dos textos serem escritos em português, fizemos uma tradução simultânea em inglês e em voz alta. Foi muito gratificante observar o olhar vivo de meu aluno confirmando as informações e conferindo as fotos que o fizeram relembrar seus antepassados quando vieram para o Brasil produzir café no interior do Paraná. Meu aluno, então, relatou o processo da colheita que era feito manualmente, onde cada trabalhador "puxava" os grãos dos galhos com as próprias mãos, sem luvas, e deixando-os cair num pedaço de pano no chão. Então, usava-se uma peneira jogando os grãos separados das folhas, atividade retratada em fotos no Museu. Observou e relembrou que as mãos dos trabalhadores viviam cheias de ferimentos, pelo trabalho contínuo, repetitivo e sem proteção. Trabalho bem diferente do que ele exercia como gerente, onde o computador tornou-se uma ferramenta essencial. Como você, caro (a) professor (a) de idiomas pode observar, é possível tornar uma aula interessante e espontânea quando se compartilha uma experiência positiva, usando sua percepção e criatividade para envolver seu aluno. E você, caro(a) professor(a) , gostaria de compartilhar alguma história? Boa aula!! Um grande abraço, Maria de Fátima assistência pedagógica ao ensino de idiomas Interesse em ser informado (a) sobre novos artigos e oficinas? Contato : marifa2006@terra.com.br Interesse em lecionar inglês na www.idees.com.br (Idées ensino de idiomas)? Envie seu CV para idees@idees.com.br
Por que será que a música nos envolve tanto? Ela pode trazer boas recordações, agitar ou acalmar o ambiente. Cada um pode ter suas preferências musicais, mas com certeza uma boa canção pode ser marcante em certos momentos ou situações. Usar músicas em aulas de idiomas é realmente prazeroso, descontraído e envolvente. Mesmo que os alunos não conheçam a melodia, acabam participando da atividade proposta, aprendendo algo que poderá até ser inesquecível. Como aquecimento, por exemplo, elaborei um exercício para alunos que estavam aprendendo o vocabulário referente aos países e nacionalidades baseando-me no CD da revista Recreio Especial- Crianças do Mundo- Editora Abril. www.musicsense.org/album863526-Recreio-Especial-Crianças-do-mundo.htm Primeiramente, os alunos deveriam escutar e associar os trechos das músicas com os países de origem: Músicas: 1) Alecrim 2) Sansa Kroma 3) La Bella Polenta 4) Kazoe Uta 5) La Cucaracha 6) Frére Jacques 7) Itsy Bitsy Spider 8) Nhanerãmoi ´I Karai Poty Países: ( ) África do Sul ( ) México ( ) Estados Unidos ( ) Portugal ( ) Brasil ( ) França ( ) Japão ( ) Itália Após conferir as respostas (2, 5, 7, 1, 8, 6, 4, 3) produziriam frases como "A música ´Alecrim´ é de Portugal; é portuguesa"; "A música ´La Bella Polenta´é da Itália; é italiana"... O exercício poderia até ter sido feito sem as músicas, onde os alunos teriam que adivinhar, observando o nome da canção somente. No entanto, ao tocar o CD, parece que o ambiente muda, ficando mais alegre e menos tenso, Alunos tendem a prestar mais atenção quando existe algum recurso que os cative. Uma outra maneira de explorar sons e música em sala de aula de idiomas, seria o de gerar uma discussão para níveis mais adiantados, baseando-se em tópicos, como por exemplo: "O trânsito em cidades grandes"; "O mercado de trabalho para recém-formados", "Mulheres que trabalham fora e dentro de casa", etc... e colocar uma música instrumental de fundo, para "acalmar" o ambiente.
Parece que falando sobre estes tópicos ao som de uma música instrumental torna a sala de aula tão agradável que alunos se sentem "mais inspirados" ou "concentrados" em suas opiniões. Seria possível também escolher uma outra música instrumental como "A day to be remembered" e pedir para que alunos façam imagens figurativas ou abstratas baseando-se nela, em grandes folhas de papel colocadas na parede. Após a execução do desenho, poderiam, então, falar sobre o que produziram. É interessante observar como alunos demonstram uma desenvoltura maior na fala quando são estimulados pela música e desenho. As ideias fluem de uma maneira bem natural e espontânea. O professor poderia também em certos momentos do curso dar instruções de relaxamento, como por exemplo "feche os olhos, imagine que esteja em um lugar bem bonito como uma praia...visualize a paisagem, sinta o calor do sol...etc" ao som de uma música instrumental. Alunos estariam praticando a compreensão auditiva com frases no imperativo e ao mesmo tempo se sentiriam relaxados.
A exploração de sons também pode tornar a prática do idioma interessante. A partir de uma coletânea de diversos efeitos sonoros, alunos poderiam mencionar o que eles representam e estariam usando o idioma para descrever algo determinado por eles. Mesmo que o professor não utilize os sons do youtube, poderia com a ajuda dos alunos, gravar certos sons e pedir para outros alunos adivinharem o que eles representam. Muitas vezes, pude observar professores que ficavam um pouco inseguros ou perdidos ao escolher uma música para determinado grupo ou aluno.
Primeiramente, seria interessante explorar canções de acordo com o nível linguístico do aluno. Para o nível básico em inglês a música "Hello, goodbye" dos Beatles, por exemplo, traz uma letra tão simples de entender que os alunos se sentem entusiasmados ao escutá-la. Tornando-a mais interessante, o professor pediria para os alunos se levantarem cada vez que escutassem palavras chaves como; "Yes/ No/ Hello/ Goodbye/ High/ Low...
Considerando o nível intermediário, a música "Tom´s diner" de Suzanne Vega descreve o que as pessoas estão fazendo num restaurante. É divertido praticar o gerúndio pedindo aos alunos para retratarem o que é descrito pela canção através de mímicas.
Alunos que estão num nível mais adiantado poderiam imaginar a letra de uma música como "I will survive" de Gloria Gaynor tentando criar frases baseadas no título da canção. Após esta atividade, poderiam comparar as letras e então pesquisar informações sobre a cantora, na internet. O aluno, por sua vez, pode trazer também suas contribuições, pesquisando letras de suas músicas favoritas e entendendo as estruturas e vocabulário nelas utilizado. Como é impossível agradar a todos, o professor pode em certos momentos escolher músicas de acordo com o que está sendo ensinado em aula, e outras vezes deixar que os alunos escolham as canções. Espero que as sugestões acima possam inspirá-lo (la) cada vez mais! Boa aula!! Um grande abraço, Maria de Fátima assistência pedagógica ao ensino de idiomas Interesse em ser informado (a) sobre novos artigos e oficinas? Contato : marifa2006@terra.com.br Interesse em lecionar inglês na www.idees.com.br (Idées ensino de idiomas)? Envie seu CV para idees@idees.com.br